FERROVIÁRIA 90 ANOS – Porque o estádio da Ferroviária se chama “Dr. Pinheiro Junior”? O que fez esse homem para receber tão importante homenagem?

Pesquisa, texto e fotos:  Jornalista João Paulo Ouverney. Reg MTb 20.087

 

Quando eu era criança meu pai nos levava – eu e meu irmão José –  ao campo da Ferroviária onde assistiamos grandes jogos da época das equipes profissionais do clube, e via o nome “Estádio Dr. Pinheiro Junior”. Cresci me perguntando  – assim como muita gente – quem teria sido esse homem e o que teria feito para receber uma homenagem tão marcante? Pois comecei a pesquisar, escrevi esta matéria e tirei fotos, deixando para publicar em 2020 quando a Ferroviária completa 90 anos de fundação.

 

Antonio Pinheiro da Silva Júnior nasceu em 19 de junho de 1886, em Pindamonhangaba, filho de Antonio Pinheiro da Silva e Emília Pestana Pinheiro. Casou-se com Alcina Palma Pinheiro e não teve filhos. Morreu com 59 anos de idade, em 1º de novembro de 1947. Formou-se médico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 13/11/1919 e voltou para Pinda, onde começou a clinicar.

Era um homem muito bondoso, espírito iluminado, que atendia as pessoas carentes, principalmente da zona rural, sem cobrar. Passou a ser carinhosamente chamado de Dr. Pinheiro ou Dr. Tonico, e se tornou o “Médico dos Pobres”, tamanha era sua bondade.

Durante muitos anos a Estrada de Ferro Campos do Jordão ofereceu aos funcionários ambulatório com médico e enfermeiro,  e Pinheiro Junior trabalhou na ferrovia de 22 de julho a 31 de dezembro de 1928, e depois de 15 de setembro de 1937 até 8 de janeiro de 1946, quando ficaria doente e morreria um ano depois.

E o que ele teve que teve a ver com a Ferroviária? Primeiro, os funcionários da “Estradinha” eram todos sócios do clube e também eram tratados com muito carinho pelo médico. E Até 1943 o campo de futebol do clube ficava ao lado das oficinas da ”Estradinha”, mas nesse ano a Estrada de Ferro Central do Brasil mudou o traçado (passava onde hoje é a Via Expressa) e o clube perdeu o campo.

Foi iniciada pela diretoria da época (presidente Savanel do Amaral Gama) uma luta para conseguir outro campo. Em 12/09/1945 foi adquirido o terreno no bairro Boa Vista, graças a uma campanha popular  contando com ajuda de comunidade e das ferrovias. O local era uma chácara que pertencia a José Plínio Marcondes de Oliveira e Aracy de Carvalho Marcondes. Custou CR 30 mil cruzeiros de entrada e o restante em 25 parcelas. Em dezembro de 1948 foi inaugurado o estádio que ainda hoje lá está, desafiando o tempo. Sua capacidade é para 3.000 pessoas sentadas na arquibancada de concreto além de grande número de torcedores em pé,  ao redor do campo.

E o Dr. Pinheiro Júnior, que foi um dos grandes baluartes e incentivadores da campanha, não pôde ver seu sonho realizado: morreu em novembro de 1947 e o estádio foi inaugurado um ano depois, em dezembro de 1948, na gestão do presidente Wilson de Oliveira. Então, como homenagem ao ilustre médico, a Diretoria propôs e o Conselho Deliberativo aprovou o nome de “Estádio Pinheiro Júnior”. No período de 1953 a 1961 o estádio sediou centenas de partidas memoráveis pelo Campeonato Paulista, mas o “Dr. Tinoco” não estava mais aqui para assistir.

Ainda hoje as decisões dos mais importantes campeonatos acontecem no estádio, devido à fácil localização e conforto que oferece. Ali também funciona a escolinha de base (coordenador professor Guina) que já formou grandes nomes para o futebol  profissional  do Brasil, entre eles o goleiro Everson do Santos FC.

Ao lado do campo fica o conjunto de raias de Malha (inaugurado em 24/02/91 – gestão do presidente José Celso Pupio), esporte que já conseguiu grandes conquistas para o clube e município.

Até muitos anos após a construção, a entrada principal do estádio ficava na Rua Pinheiro da Silva (em frente à igreja São Joaquim), mas em meados da década de 60 foi mudada para a rua Izaura Eugênio de Toledo Silva (onde é até hoje). Todo o quarteirão do estádio pertencia ao clube, mas com o passar dos anos e muitas dificuldades financeiras, foram sendo vendidas parte do terreno.

Após a morte do querido médico, foi realizada entre a população uma campanha para angariar fundos para a confecção de um busto em bronze com os dizeres “Homenagem do povo ao querido pindense Dr. Antonio Pinheiro Junior  – o Médico dos Pobres – 01/11/47”. Esse busto ainda está até hoje na Praça Monsenhor Marcondes, próximo ao local onde é montada a casinha do papai Noel na época natalina.

E outra homenagem pós-morte que ele recebeu foi o nome “Avenida Dr. Antonio Pinheiro Júnior”, aquela que começa próximo à Prefeitura percorrendo todo o bairro Campo Alegre, sentido Rancho Quatro Milhas.

 

Fonte de pesquisa: Livro “Homenagem a Pindamonhangaba” de autoria de Luiz Carlos Loberto “Cacaio”, saudoso ex-provedor da Santa Casa de Misericórdia de Pindamonhangaba.