FERROVIÁRIA 90 ANOS – Roberto Faria foi Diretor Social e fez milhares de fotos da Ferroviária durante sua vida que se encerrou em 2017

Entrevista, texto: Jornalista João Paulo Ouverney. Reg Mtb 20.087. Fotos: Ouverney e acervo de família

 

Roberto Faria faleceu em 9 de outubro de 2017, após mais de 50 anos fotografando tudo que acontecia em Pindamonhangaba e na Ferroviária. Foi Diretor Social do clube quando ainda era no “Excelsior”, e mesmo depois disso continuou fotografando e participando de eventos, principalmente bailes, sempre em companhia do inseparável amigo José Jacob de Freitas Filho (também já falecido). Os dois foram considerados ótimos dançarinos.

Durante mais de 70 anos de vida bem vivida (sempre alegre e brincalhão), ele tirou milhares de fotografias de  pessoas de todas as classes sociais; de tudo quanto é evento que se possa imaginar; de artistas, atletas,  jogos, casamentos, muita gente famosa, mas ele mesmo apareceu em poucas fotos.

O fotógrafo Geraldo Roberto Sampaio Faria “Corvo”, sãopaulino, signo de Câncer, viúvo, pai de três filhos (Andréa, Roberta e Fabiano e avô de uma neta) foi entrevistado por mim em 10 de junho de 2010. Dez anos depois ele nos deixaria, em 9 de outubro de 2017.

 

João Paulo Ouverney – Como você descobriu a vocação para a fotografia?

Roberto Faria  – Em 1969 eu já gostava de fotografia e fui para a Suiça, onde fiz um curso de especialização e aproveitei para comprar minha primeira máquina, uma Yashica Mat 124, que era o último lançamento mundial na época.

 

JPO –  E você foi também diretor de clubes sociais?

Faria – Sim, fui diretor Social do Clube Literário no tempo do presidente Vitalino da Costa Manso; do Clube Atlético Pindense, e também diretor Social na Ferroviária quando a sede social  era no atual supermercado Excelsior, onde criei os bailes dançantes com conjuntos ao vivo. Presidentes Hélio Camargo, Otávio César e Dr. Profeta.

 

JPO – E depois disso, fez muitas fotos para a Ferroviária? De quais eventos?

Faria –  Fiz cobertura de tudo quanto foi evento ao longo da vida da Ferroviária. Futebol, futsal, vôlei, basquete, malha, bailes, carnavais, as famosas “Domingueiras”, concursos de rainhas do Carnaval e tudo o mais realizado por várias Diretorias. Foram milhares de fotos e eventos dos quais participei.

 

JPO – Você trabalhou com diversos prefeitos?

Faria –  Sim, prestei muitos serviços à Prefeitura,  trabalhei  principalmente com os prefeitos Dr. Francisco Romano de Oliveira, Dr. Caio Gomes Figueiredo,  Dr. João Bosco Nogueira (dois mandatos),  Dr. Geraldo Alckmin,  Dr. Thiers Fernandes Lobo,  Dr. João Bosco Nogueira,  Francisco Vieira Filho e  Dr. Vito Ardito Lerário (três mandatos).

 

JPO – Tem uma ideia de quantas fotos tirou durante sua vida?

Faria – Não faço a mínima ideia, perdi a conta, mas foram milhares e milhares.

 

JPO – E você quase não aparece em nenhuma foto, por quê?

Faria – Meu trabalho sempre me obrigou a ficar por trás da câmera, e não gosto mesmo de ser fotografado, sempre preferi fotografar.

 

JPO – Você trabalhou muitos anos para os jornais locais?

Faria – Só para a Tribuna do Norte trabalhei desde  a criação da Fundação Dr. João Romeiro,  em 5 de maio de 1980, com os presidentes: Luiz Salgado Ribeiro, Aércio Muassab, João Paulo Ouverney e Irani Lima. Também fiz muitas fotos para o Jornal da Cidade, onde ainda hoje mantive uma coluna social semanal e forneci muitas fotos de eventos.

JPO  – Quais os principais eventos retratados por você?

Faria – Fiz tudo quanto é esporte, Jogos Regionais, Jogos Abertos e outras competições;  concursos de beleza, rainha do Carnaval, desfiles de moda, desfiles cívicos, desfiles de Carnaval, inaugurações, comícios, eleições, Expovap, e toda espécie de acontecimento social.

 

JPO – Desses eventos todos, quais os mais importantes?

Faria – Três eventos muito  importantes foram: a chegada dos restos mortais de D. Pedro I a Pinda em 1972; a inauguração da Villares nos anos 80 com a presença do presidente da República general João Batista Figueiredo,  e o jogador Rivelino quando se casou e estava em Campos do Jordão passando a Lua de Mel. Vendi as fotos para a revista Manchete e outros órgãos da grande imprensa.

 

JPO – A Santa Casa montou  um museu com fotos de sua autoria?

Faria – Sim, eu forneci diversas fotos que foram pintadas em grandes quadros pelo artista Hélio Hatanaka, uma iniciativa do provedor da Santa Casa, Engº. Luiz Carlos Loberto “Cacaio”. Obsdervação – Também já falecido.

 

JPO – Você participou do programa Cidade contra Cidade, do Silvio Santos?

Faria – Realmente, isso foi nos anos 70, Pinda ganhou diversas vezes e eu tive a alegria de participar de alguns quadros, sob a coordenação dos inesquecíveis radialistas Percy Lacerda e Jota Marcondes.

 

JPO – É verdade que você desfilou como modelo?

Faria – Quando era jovem participei de vários desfiles mostrando os últimos lançamentos de grifes famosas na época. Num desses desfiles fotografei a Xuxa e Luiz Brunet antes de se tornarem famosas. Estive também no programa Silvio Santos.

 

JPO –   Você tem fama de ser grande dançarino, é verdade?

Faria – Na minha juventude, com 17 anos, aprendi a dançar no “Ninho do Corvo” onde hoje é o supermercado Excelsior, tinha um samba gafieira de primeira(ainda não era a Ferroviária). Gostei e procurei me aprimorar cada vez mais. E danço até hoje,  já dancei nos principais clubes do Vale do Paraíba. A dança faz muito bem à saúde física e mental.

 

JPO – Você praticou esportes?

Faria – Sim, devido à minha estatura, fui jogador de voleibol da seleção de Pinda e participei de muitas competições sob a coordenação do competente técnico professor Una.

 

JPO – É verdade que você lançou a moda da sandália Havaiana em Pinda?

Faria – Realmente, na época a sandália Havaiana surgiu no Rio de Janeiro e ainda era tabu nas cidades do interior. Fui lá, comprei, voltei para Pinda e comecei a usar. No início zoaram comigo, mas a galera acabou se acostumando com a ideia e a coisa pegou.

 

JPO – Roberto Faria, mais alguma coisa a declarar?

Faria – Quero deixar meus sinceros agradecimentos a minha família, aos amigos, a todos com quem trabalhei durante todos esses anos, a todos que fotografei durante minha vida, e a Deus por permitir que eu nascesse e tivesse essa profissão maravilhosa!

 

FINALIZANDO: Eu, João Paulo Ouverney, sinto que minha vida é muito mais feliz por haver convivido, sido amigo e companheiro de trabalho durante muitos anos dessa pessoa maravilhosa – o “Corvão” – desde 1972 , quando iniciei minha carreira no extinto Jornal 7 Dias.  Um daqueles seres humanos que quando se vai, deixa muita, muita saudade!