Tomezão foi craque da Ferroviária dos bons tempos do futebol profissional

Entrevista, texto e foto: Jornalista João Paulo Ouverney. Reg MTb 20.087

 

Até o final de 2019,  quem estacionava seu carro na Rua Dr. Campos Sales sábado ou  domingo para ir ao mercado e via um homem alto, negro, humilde, tomando conta de veículos, não imaginava que ele foi um grande craque do futebol de Pindamonhangaba na década de 50.

Muitos garotos iam ao estádio Dr. Pinheiro Júnior, da Ferroviária, levados pelos pais, e admiravam um becão do alviverde usando a camisa 3 que não deixava passar nada, e a torcida gritava seu nome: Tomezão! Tomezão!

 

Na realidade, seu nome era Celso de Oliveira, o “Tomé” herdou de seu pai Tomé de Oliveira Santos. Ele tinha tem 79 anos, e ainda trabalhava como ajudante de Serviços Gerais na Prefeitura de Pinda. Nos fins de semana ganhava mais um dinheirinho guardando veículos. Tomé contava com orgulho que defendeu a Ferroviária pelo futebol profissional durante alguns anos, depois foi para o Hepacaré de Lorena (grande potência profissional na época), e de lá voltou para Pinda onde jogou no Corinthians, São Paulo, Estrela, Santa Isabel e Pindense. Chegou a fazer teste em grandes clubes de São Paulo, mas preferiu ficar em Pinda mesmo.

 

“Na Ferroviária joguei com grandes craques como Lale, Jabor, Aderson, Carlota, Lopes, Ivan e Abissínio entre outros. O presidente do clube na época era o Seu Tobias Salgado”, contou Tomezão. “Aqueles tempos não voltam mais, são muitas lembranças boas, os estádios ficavam lotados, a torcida apoiava as equipes, hoje é totalmente diferente, infelizmente acabou-se o nosso futebol”, disse o ex-craque.

 

Eu, João Paulo Ouverney, quando tinha 8 anos de idade, conheci e admirava o  Tomé quando ele jogava na Ferroviária, e o reconheci guardando carros na rua Dr. Campos Sales. Decidi prestar uma homenagem ao grande craque, dando a ele uma camisa oficial de jogador da Ferroviária, que possuía em casa. O homenageado demonstrou muita felicidade e emoção.

“Nossa, fico muito feliz mesmo, eu tenho camisa de todos os outros times onde joguei, menos da Ferroviária onde mais atuei e que amo até hoje, e pretendo ir com ela em meu caixão”.

No dia 21 de janeiro de 2019 ele foi baleado durante uma tentativa de assalto a uma Padaria no Alto Tabaú. A bala entrou por um lado de seu rosto e saiu pelo outro, sem maiores danos.

Mas no dia 6 de novembro do mesmo ano o coração do “Tomezão” finalmente não resistiu mais no jogo da vida, e ele regressou à pátria espiritual!

 

A Gestão 10 da Ferroviária, representada pelo Presidente Leandro Matos e Vice-Presidente Julio Piorino, prestou homenagem ao ex-atleta do clube.